terça-feira, 21 de março de 2017

CORTEJO TIA MARCELINA por Rídna Motta



17 de fevereiro de 2017 ficará gravado em mim para sempre. Apesar de não ser meu primeiro Cortejo Tia Marcelina esse foi sem sombra de dúvidas, até hoje, o mais significativo. O Tia Marcelina sempre buscou unir na mesma avenida sob o som dos mesmos tambores o maior número possível de grupos culturais, casas de axé, maracatus, enfim de pessoas que comungam dos mesmo ideais de igualdade, respeito e resistência.

Na última sexta vivi momentos únicos que talvez nunca se repitam, e decidi vivê-los em sua plenitude. Desde a consagração do Mestre Sávio do Maracatu Nação Acorte de Alagoas quando aos pés de seu Pai de Santo reafirmou o compromisso de servir aquela corte em corpo e em espírito atendendo aos pedidos da ancestralidade de algo que é maior que nós, mas que muitos menosprezam.

Esse momento me fez arrepiar e reafirmar a certeza que ser Mestre é mais que conduzir uma batucada é uma responsabilidade maior que a musical, ela é moral, pessoal, intransferível e, sobretudo de fé e dedicação. Me fez fortificar o respeito que já tenho pelos meus Mestres Sandro e Letícia.

Na sede acolher o Pajé Purinã Xucuru Kariri e poder receber de índio Kauanã, em meu rosto uma pintura significativa de sua cultura e que veio de seu coração é uma honra imensa. Sem preocupações estéticas ou de que desenho viria a meu rosto sentei fechei os olhos e agradeci pelo que ele naquele momento sentiu e refletiu em mim.

Ele abençoou a todos que ali estavam independentemente do grau de aceitação, entendimento ou respeito pelo que estava a ocorrer, sem distinções todos que usaram aqueles cocares levam consigo uma benção tradicional de nossa terra, de nossos ancestrais, daqueles que foram usurpados de sua cultura e quase dizimados pelas conveniências individualistas que ainda perpassam a nossa sociedade e nosso convívio diário.

É pena que as pessoas não dimensionem o que aconteceu no dia 17/02/2017. Estavam na Rua Barão de Jaraguá, em frente ao 381, minha morada de todos os domingos, nada mais nada menos que representantes de 05 diferentes Casas de Axé, vindos das mais distantes periferias de Maceió para comungar e celebrar a memória dessa Mãe Preta que morreu pelo direito de exercer sua fé.
Eram Maracatus, Afoxés e uma linda banda de samba reggae composta por crianças do Benedito Bentes que trouxeram sua arte para avenida, que desfilaram seu orgulho e que reafirmaram sua luta. Isso é muito maior que os percalços passados pra chegar até ali. É muito maior que o individuo, que eu, que você que ta lendo que qualquer coisa. Tudo é menor quando você tem a perspectiva daquele ato.

Dentre as diversas coisas que ficarão dessa linda noite na minha vida duas valem destaques:
1- A Reafirmação de que a organização do Jaraguá Folia não tem a dimensão desse ato mesmo, porque são 8 anos indo pra rua e nunca conseguimos um fechamento de rua que impedisse carros de buzinar e acelerar e tentar bagunçar uma celebração tão bonita. O organizador mor passou por lá, eu vi, ninguém me disse. Não parou pra falar com ninguém ou pra perder dois minutos de seu tempo observando o esforço de cada um pra ta ali. Mas sem problema vai ter tambor na avenida sim. Sempre.

2- A absoluta certeza que é muito mais que bater tambor, que carregar uma alfaia que rodar com o xequere na mão. Que é mais que minha roupa, meu cabelo, meu cocar. É mais que eu! É sagrado e profano, é de fé, de ancestralidade, de amor, de respeito pelo próximo. E que de nada adianta pular, sorrir e brincar se você não compreender isso
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Cada oração, cada benção, cada ato, cada sorriso e cada lágrima tem uma razão de ser. É a 
Coletividade das Nações, pessoas e fé acima da mesquinhez do pobre ser humano invidualista.
#CortejoTiaMarcelina #MacaratuNaçãoAcortedeAlagoas #MaracatuRaízesdaTradição #GUESB/INAE #AfroDende #OjuOminOmoureua #OfáOmim #IsabelaBarbosa #LineteMatias #NanáMartins #FalaPreta

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Consagração do Mestre Savio do Maracatu Nação Acorte de Alagoas



Dia 17 de fevereiro de 20017, antes do 14º Cortejo Tia Marcelina houve a consagração do Mestre Savio do Maracatu Nação Acorte de Alagoas em frente a Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo em Jaraguá, realizado com a participação do Coletivo AfroCaeté e de seus Mestres Sandro Santana e Letícia Sant'Ana.

 Fotos: Juliana Barreto





 


 




 
 
 







 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Cortejo Tia Marcelina 2017




Recuperados da noite linda de ontem? Sem dúvida um dos blocos mais lindos da noite. Não pelos figurinos e sorrisos estampados nos rostos dos batuqueiros. Mas por toda a parceria envolvida pra colocar o Cortejo Tia Marcelina na rua.

O dito de que não fazemos nada sozinhos é o clichê mais realista que se pode existir. Primeiro todos os pedidos da ancestralidade que nos move para que colocássemos nossas origens e nosso batuque na avenida. Não é só um desfile, é resistência. 

Resistência por nossos ancestrais negros e Caetés perseguidos, dizimados e com uma história tão pouco reconhecida. É pelos que ainda virão e saberão que na terra das lagoas existe cultura negra e indígena que resiste durante séculos aos chutes dados em Tia Marcelina, ao preconceito com as religiões de matriz africana, aos cabelos crespos, à pele vermelha de nossos índios e a todo e qualquer tipo de discriminação por assumirmos nossas raízes.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

“Caetés” no Cortejo Tia Marcelina






Neste ano de 2017 o Cortejo Tia Marcelina vem homenagear os povos indígenas alagoanos e sua contribuição na formação deste estado no bojo das comemorações pelo Bicentenário da Emancipação Política de Alagoas.

O bloco sairá com figurino que fará referência aos povos indígenas com a temática “Caetés”. Importante frisar a relevância do legado cultural dos indígenas neste estado, que fora habitado inicialmente pelos índios da etnia Caeté, exterminados no processo da conquista e formação do território, como também das etnias indígenas, em processo de afirmação e fortalecimento das suas identidades étnicas, identificadas em Alagoas: Tingui-Botó, Kariri-Xocó , Jeripancó , Xucuru-Kariri, Wassu Cocal , Karapotó, Karuazú , Kalancó , Koiupanká e Tuxá.

Fomos contemplados com o Prêmio “Carnaval Bicentenário 2017”, através de edital da Secretaria de Estado da Cultura.
Vamos batucar que a noite é nossa!!!!! 


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Tia Marcelina





Ela tinha o saber, o carisma e a voz viva dos Orixás segundo os líderes atuais do Candomblé alagoano, sendo contemplada com a coroa de Dadá, homenagem outorgada pelos oráculos do continente africano, era o posto mais alto da hierarquia religiosa africana no Brasil e que significa na liturgia africana “irmão mais novo de Xangô”. O seu terreiro estava situado num pequeno sítio no centro da cidade, onde se cultuavam os Orixás e o som do maracatu. Hoje entende-se que o local ficava nos arredores da Praça Sinimbú.

Tia Marcelina foi morta durante um dos maiores atos de intolerância religiosa contra as casas de culto afrobrasileiras: O Quebra de Xangô, ocorrido em 1912 em Alagoas. No dia 1º de fevereiro de 1912, Babalorixás e Yalorixás tiveram seus terreiros invadidos por uma milícia denominada Liga dos Republicanos Combatentes, seguida por uma multidão enfurecida, que assistiu a retirada forçada de seus objetos de culto sagrados, que em seguida foram expostos e queimados em praça pública numa demonstração de racismo, preconceito e intolerância religiosa para com as manifestações culturais de matriz africana.

O "Quebra" chegou ao terreiro de Tia Marcelina, mas ela não arredou o pé. Alguns filhos de santo conseguiram escapar. Os que permaneceram com a Mãe de Santo sofreram todo tipo de violência. Tia Marcelina resistiu com dignidade aos golpes físicos e emocionais que recebeu. Contam que a cada chute recebido, ela clamava por Xangô, "Eiô, Cabecinha" e no outro dia, a perna do agressor foi secando, até que ele mesmo secou por completo.

Tia Marcelina faleceu e deixou na história sua força e resistência, se tornando um dos símbolos mais fortes de resistência afrobrasileira do País.
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O Cortejo Tia Marcelina saiu pela primeira vez em 2010 através da produção do Coletivo AfroCaeté e seus parceiros com o intuito de homenagear esse símbolo da nossa cultura. Sendo, também, um meio de resistência.

Diferente dos blocos tradicionais, com as já conhecidas fantasias e as marchinhas de carnaval, o Cortejo Tia Marcelina traz para o Jaraguá dos dias atuais o toque dos tambores que não se calaram e as músicas e trajes que contam histórias de luta e de fé do povo alagoano.

domingo, 27 de novembro de 2016

Fotos do último "Ensaio Aberto" do ano - 26 de NOV


Fechando o ano com chave de ouro, nosso Ensaio Aberto do Mês da Consciência Negra foi lindo! Contamos com a participação de Paulinho Xavier (Banda Afro Gurungumba), Igbonan Rocha, Natalhinha Marinho, Grupo Segura o Coco, Andréa Laís, Nany Moreno (Afoxé Oju Omim Omorewá), Thiago Paiva (Mazé) e Pedro Farias, Naná Martins, Mel Nascimento e o ilustre Maracatu Nação Acorte de Alagoas. Em 2017 tem mais, até lá!
Fotos: Edvaldo Vasconcelos




























segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dia 26 NOV - Último Ensaio Aberto do ano




Semana começando com 10, isso mesmo, DEZ atrações confirmadas para o nosso último Ensaio Aberto do ano. A festa é no sábado e quem quiser já pode começar a contagem regressiva. 



















;)



sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Fotos dos Ensaios Abertos.




A gente fica balançado com essa coisa de final de ano, sabe? Fica revendo as fotos dos Ensaios que já passaram e chega até a fazer gif juntando as fotinhos tudo.  Bom é saber que ainda tem mais um pra gente aproveitar bastante 


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