terça-feira, 28 de março de 2017

Oficina de Maracatu e Ensaio Aberto!!






Abril chegou e veio trazendo com ele duas coisas que nós amamos: Oficina de Maracatu e Ensaio Aberto!!
Nossa primeira oficina do ano acontece nos dias 08 e 09, na sede do AfroCaeté e as inscrições já estão abertas.
No sábado, as atividades começam às 13h. No domingo, a oficina continua das 9h às 12h. A partir das 14h teremos encerramento da Oficina com o Ensaio Aberto do mês de abril.
O investimento é de R$ 30 + 1 kg de alimento. Quem se inscreveu deve efetuar o pagamento no dia da oficina e não pode esquecer de levar um documento original com foto.
Venha fazer parte do AfroCaeté!

segunda-feira, 20 de março de 2017

CORTEJO TIA MARCELINA por Rídna Motta



17 de fevereiro de 2017 ficará gravado em mim para sempre. Apesar de não ser meu primeiro Cortejo Tia Marcelina esse foi sem sombra de dúvidas, até hoje, o mais significativo. O Tia Marcelina sempre buscou unir na mesma avenida sob o som dos mesmos tambores o maior número possível de grupos culturais, casas de axé, maracatus, enfim de pessoas que comungam dos mesmo ideais de igualdade, respeito e resistência.

Na última sexta vivi momentos únicos que talvez nunca se repitam, e decidi vivê-los em sua plenitude. Desde a consagração do Mestre Sávio do Maracatu Nação Acorte de Alagoas quando aos pés de seu Pai de Santo reafirmou o compromisso de servir aquela corte em corpo e em espírito atendendo aos pedidos da ancestralidade de algo que é maior que nós, mas que muitos menosprezam.

Esse momento me fez arrepiar e reafirmar a certeza que ser Mestre é mais que conduzir uma batucada é uma responsabilidade maior que a musical, ela é moral, pessoal, intransferível e, sobretudo de fé e dedicação. Me fez fortificar o respeito que já tenho pelos meus Mestres Sandro e Letícia.

Na sede acolher o Pajé Purinã Xucuru Kariri e poder receber de índio Kauanã, em meu rosto uma pintura significativa de sua cultura e que veio de seu coração é uma honra imensa. Sem preocupações estéticas ou de que desenho viria a meu rosto sentei fechei os olhos e agradeci pelo que ele naquele momento sentiu e refletiu em mim.

Ele abençoou a todos que ali estavam independentemente do grau de aceitação, entendimento ou respeito pelo que estava a ocorrer, sem distinções todos que usaram aqueles cocares levam consigo uma benção tradicional de nossa terra, de nossos ancestrais, daqueles que foram usurpados de sua cultura e quase dizimados pelas conveniências individualistas que ainda perpassam a nossa sociedade e nosso convívio diário.

É pena que as pessoas não dimensionem o que aconteceu no dia 17/02/2017. Estavam na Rua Barão de Jaraguá, em frente ao 381, minha morada de todos os domingos, nada mais nada menos que representantes de 05 diferentes Casas de Axé, vindos das mais distantes periferias de Maceió para comungar e celebrar a memória dessa Mãe Preta que morreu pelo direito de exercer sua fé.
Eram Maracatus, Afoxés e uma linda banda de samba reggae composta por crianças do Benedito Bentes que trouxeram sua arte para avenida, que desfilaram seu orgulho e que reafirmaram sua luta. Isso é muito maior que os percalços passados pra chegar até ali. É muito maior que o individuo, que eu, que você que ta lendo que qualquer coisa. Tudo é menor quando você tem a perspectiva daquele ato.

Dentre as diversas coisas que ficarão dessa linda noite na minha vida duas valem destaques:
1- A Reafirmação de que a organização do Jaraguá Folia não tem a dimensão desse ato mesmo, porque são 8 anos indo pra rua e nunca conseguimos um fechamento de rua que impedisse carros de buzinar e acelerar e tentar bagunçar uma celebração tão bonita. O organizador mor passou por lá, eu vi, ninguém me disse. Não parou pra falar com ninguém ou pra perder dois minutos de seu tempo observando o esforço de cada um pra ta ali. Mas sem problema vai ter tambor na avenida sim. Sempre.

2- A absoluta certeza que é muito mais que bater tambor, que carregar uma alfaia que rodar com o xequere na mão. Que é mais que minha roupa, meu cabelo, meu cocar. É mais que eu! É sagrado e profano, é de fé, de ancestralidade, de amor, de respeito pelo próximo. E que de nada adianta pular, sorrir e brincar se você não compreender isso
.
Cada oração, cada benção, cada ato, cada sorriso e cada lágrima tem uma razão de ser. É a 
Coletividade das Nações, pessoas e fé acima da mesquinhez do pobre ser humano invidualista.
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