terça-feira, 6 de março de 2012

Oficina de Maracatu e ritmos Afro-alagoanos

Entre para a tribo do tambor! 

O Coletivo AfroCaeté convida você a participar de sua primeira oficina em 2012 para novos integrantes [ou para você que fica cheio de emoção quando ouve o batuque e fica morrendo de vontade de experimentar!]

A taxa de inscrição é no valor simbólico de R$ 10,00 (dez reais), paga no dia 14 de abril durante o primeiro dia de atividades.

Para realizar a sua inscrição, basta preencher o formulário abaixo e enviar, usando o botão no final do documento.







quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Cortejo AFRO Tia Marcelina no Jaraguá Folia 2012




Cortejo AFRO Tia Marcelina marca presença no Jaraguá Folia 2012

Grupos afro e da cultura popular homenageiam Tia Marcelina, uma das mártires do “Quebra dos Xangôs”,  um século depois de sua morte


O cortejo afro Tia Marcelina há três anos reúne os grupos da cultura popular  e afro alagoana para inundar de axé e alegria aquele que foi o palco do massacre de vários escravos que aportavam aqui e eram vendidos nos trapiches do bairro histórico de Jaraguá.
Como disse Tia Marcelina, ao ser espancada até a morte:
– Bate moleque, arrebenta braço, arrebenta cabeça, mas não tira saber! 
Cem anos depois do trágico acontecimento, os maracatus, afoxés, bois e cocos sentem-se livres para ir às ruas e com cabeça erguida defender com exuberância as heranças de além mar.
Este ano estarão presentes no batuque as alfaias e xequerês do Coletivo AfroCaeté, o Bumba-meu-boi Alegria, do Núcleo Cultural da Zona Sul, os passos do balé afro primitivo do Grupo Inaê, além das presenças ilustres de Mestre César, comandante do Afro Mandela, grupo com 24 anos de história em nosso estado e de Isabel e Nany Moreno, que formam o coração de um dos mais importantes grupos de Alagoas: o Afoxé Oju Omin Omorewá.
A concentração para a saída do cortejo Tia Marcelina será na sexta-feira, 10 de fevereiro, a partir das 19 horas na sede do Coletivo AfroCaeté, na rua Barão de Jaraguá - 381 (em frente a Unifal), e às 20 horas o cortejo segue pelas ruas do bairro, em direção a rua Sá e Albuquerque até a praça Dois Leões, encerrando o desfile no ponto de partida.
A atividade conta com o apoio da Articulação dos grupos da Cultura Popular e Afro-Alagoana, do Grupo União Espírita Santa Bárbara (GUESB), do grupo Inaê e do Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social e Trabalho no Estado de Alagoas (SINDPREV-AL).
Será uma ótima oportunidade de conhecer de perto a riqueza e a beleza da cultura alagoana e preparar o corpo para a maratona de folia da maior festa popular do Brasil. Venha e traga seu axé!


Cortejo Afro Tia Marcelina: pelas ruas de Jaraguá
Com os grupos: Coletivo AfroCaeté, Bumba-Meu-Boi Alegria, Grupo Inaê e Mestre Cesar, do Afro Mandela.
Dia: Sexta, 10 de fevereiro de 2012, concentração às 19h, saída às 20h
Concentração: (aberto ao público) Sede do Coletivo AfroCaeté
(Rua Barão de Jaraguá, 381 – em frente a Unifal)
Informações: 8854-9382 / 8801 4265 / coletivoafrocaete.blogspot.com 
Apoio: Articulação pela Cultura Popular e Afro-alagoana, Grupo Inaê e SINDPREV-AL

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Centenário do Quebra – Xangô Rezado Alto

Para entender o Quebra



Por Rachel Rocha
(Jornalista, Antropóloga, professora
e Vice-reitora da UFAL)




O episódio conhecido como Quebra de Xangô foi um ato de violência praticado em 1ºde fevereiro de 1912 contra as casas de culto afrobrasileiras de Maceió e que se estendeu pelo interior de Alagoas. Naquele dia, babalorixás e yalorixás tiveram seus terreiros invadidos por uma milícia armada denominada Liga dos Republicanos Combatentes, seguida por uma multidão enfurecida, e assistiram à retirada à força dos templos de seus paramentos e objetos de culto sagrados, que foram expostos e queimados em praça pública, numa demonstração flagrante de preconceito e intolerância religiosa para com as nossas manifestações culturais de matriz africana.

Esse evento, que intimidou o povo de santo e suas práticas nas décadas subsequentes proporcionou o surgimento de uma manifestação religiosa intimidada, denominada Xangô Rezado Baixo, uma modalidade de culto praticada em segredo, alimentada pelo medo, sem o uso de atabaques, e animada apenas por palmas. Essa violenta ação contra o povo de santo tem repercussões contemporâneas e pode ser apontada como uma das fortes causas da invisibilidade de uma prática religiosa que é extremamente expressiva na capital e no interior de Alagoas, pois as pesquisas de estudiosos do tema apontam para a existência de cerca de 2 mil terreiros em todo o Estado.

O evento que hoje celebramos em memória ao episódio do Quebra dos terreiros, denominado Centenário do Quebra – Xangô Rezado Alto, recupera esse passado e reivindica da população alagoana e dos poderes públicos constituídos, atenção e compromisso para com as causa das populações afro-descendentes que não podem, não devem e não irão mais se intimidar frente às injustiças históricas praticadas no passado e que relegaram nossa população afrodescendente a situações de exclusão e de extrema dificuldade.

Por isso Xangô Rezado Alto, para que nunca mais em Alagoas, as comunidades afroreligiosas se sintam intimidadas ou envergonhadas de professar sua religião que é um grande e reconhecido contributo para a formação da cultura alagoana e que muito nos orgulha.

Xangô Rezado Alto - Imagens

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ensaio aberto esquenta o clima para as prévias de carnaval em Maceió


A uma semana das prévias, grupos afro promovem
 uma tarde de batuque e alegria pelas ruas de Jaraguá 

Há quem já esteja em contagem regressiva a algum tempo, e para os foliões de plantão é tempo de ensaiar o passo, compor as fantasias e se preparar para aquela que é a maior festa popular do país. Em Maceió, apesar do carnaval de rua ainda ser apenas uma miragem, as prévias fazem as ruas do bairro boêmio se encher de cores e ritmos, enchendo olhos e ouvidos dos foliões e dando água na boca de quem gosta de alegria. Vários grupos e agremiações desfilam e caem no passo do frevo, do maracatu, da marchinha, dos bois, do afoxé e muito mais. Para alguns grupos, o ritmo dos preparativos se acelera no mês que antecede a festa. 

Numa iniciativa da Articulação pela Cultura Popular e Afro-alagoana, o bloco afro Tia Marcelina – uma das ialorixás assassinadas no Quebra de 1912, reúne vários grupos para o desfile do dia 10 de fevereiro. Este ano a expectativa é que sejam reunidos mais de duzentos batuqueiros. A saída esta prevista para as 20 horas. 

Ensaio aberto
Para afinar o tambor e acertar o passo, o Coletivo AfroCaeté e o Afro Madela convidam a todos para acompanhar o ensaio que antecede as prévias. O cortejo terá concentração a partir das 16 horas na sede do AfroCaeté, na rua Barão de Jaraguá, 381 (em frente a Unifal) e as 17 horas seguirá pelas ruas de Jaraguá até a praça 13 de maio, retornando à Praça Artur Ramos, onde o grupo Afro Mandela estará se apresentando no Bar La Rosa Mossoró. Neste momento, o batuque do samba reggae e do afoxé, se misturará às alfaias e xequerês do Coletivo AfroCaeté, que em seguida fará uma breve apresentação no local. 

Será uma ótima oportunidade de conhecer de perto a riqueza e a beleza da cultura alagoana e preparar o corpo para a maratona de folia. Venha e traga seu axé!

Serviço: 
Tambores na Rua: ensaio aberto do bloco afro Tia Marcelina 
Com os grupos: Coletivo AfroCaeté e Afro Mandela 
Dia: Domingo, 5 de fevereiro de 2012, às 16h 
Concentração: Sede do Coletivo AfroCaeté (R. Brão de Jaraguá, 381 – em frente a Unifal)
Encerramento: Bar La Rosa Mossoró
Aberto ao público 
Informações: 8854-9382 / 8801 4265 / coletivoafrocaete.blogspot.com 
Produção: Coletivo AfroCaeté 
Apoio: Bar La Rosa Mossoró

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Carta Aberta dos religiosos de Matriz Africana à sociedade alagoana


No dia 08 de Dezembro de 2011, segundo as nossas tradições, uma data reservada ao culto de Iemanjá, orixá das águas, nós que fazemos parte dos cultos religiosos de matriz africana naquele dia, nós, religiosos de matriz africana da cidade de Maceió e as casas religiosas situadas nos interiores, fomos surpreendidos com uma situação de uma profunda humilhação, quando ao chegarmos para a celebração das nossas oferendas sagradas nas praias de Jatiúca e Ponta Verde , nós nos deparamos tanto com um espaço de segregação física – restrito da balança do peixe até o final da praia da Pajuçara -, bem como ainda, com a determinação de um horário restrito de celebração de nossas cerimônias determinado pelas autoridades responsáveis pelas medidas disciplinadoras, estipuladas pelos mesmos das 7 horas da manhã até as 8 horas da noite. Ambas as medidas foram determinada pela Prefeitura da Cidade de Maceió através da Fundação Cultural da Cidade de Maceió, na pessoa da Sra. Paula Sarmento, e pela direção Secretaria Municipal de Convívio e Controle Urbano, na pessoa do Sr. Galvaci de Assis, sendo que, os tais órgãos, para a concretização de tais “medidas disciplinadoras” solicitou o apoio disciplinador e repressivo do aparato tanto da Guarda Civil Municipal, bem como ainda, da Polícia Militar de Alagoas.

Alagoanos, a situação que todos nós religiosos de matriz africana fomos submetidos naquele dia, foi algo vergonhoso e humilhante, e, mais ainda quando estamos na véspera de completar exatamente cem anos da Quebra de todos os terreiros de candomblé de Alagoas ocorrido em 1912, fato que, não voltou a acontecer no dia 08 de Dezembro de 2011, em virtude da intervenção nos bastidores de membros do Governo do Estado junto ao comando da Polícia Militar do Estado de Alagoas, alertando-lhes para a fragrante violação da Constituição Federal e as possíveis conseqüências da violação.

Diante do acontecido, nós religiosos de matriz africana que também fazemos parte da herança da República dos Palmares e que atualmente contamos com algo em torno de 3000 casas de culto espalhados por Alagoas, não podemos ficar silenciados e humilhados diante da imensa vergonha com que nossos irmãos foram tratados no dia 08 de Dezembro do presente ano quando, ao chegarmos aos locais de realização das nossas cerimônias, fomos vigiados e monitorados por pessoas completamente alheios ao nosso universo religioso, os quais, segundo declarações à imprensa, tinham como principal objetivo “disciplinar as nossas atividades”.

Neste sentido é que destacamos enquanto descendentes de escravos, também fazemos parte da herança da República dos Palmares e por tudo isto, nós não podemos ficar silenciados e humilhados diante da imensa vergonha com que nossos irmãos foram tratados no dia 08 de Dezembro.

Vale ressaltar ainda que, a “medida disciplinadora” levada a cabo pelos referidos órgãos, Fundação Cultural da Cidade de Maceió e pela Secretaria Muncipal de Convívio e Controle Urbano, em razões de seus alheamentos a respeito das nossas tradições, não levou em conta o fato de que, tanto as praias, bem como ainda, as águas marinhas, para nós religiosos de matriz africana, serem ambos, lugares de uma memória sagrada e enquanto tais, invioláveis por direito constitucional.

E então perguntamos: disciplinar o que? Disciplinar a partir de que? E com que direito estes órgãos – que deveriam cumprir o seu papel de proteger a nossa liberdade religiosa – podem se arvorar em disciplinar as nossas crenças, os nossos cantos e a nossa liberdade de expressão religiosa? Afinal, o que eles sabem de nosso Deus e o que eles entendem dos nossos Orixás e das nossas tradições?

Alagoanos de um modo geral e da cidade de Maceió em particular, o que ocorreu no dia 08 de Dezembro não foi apenas uma violência contra as nossas tradições sagradas, mas, antes de tudo, foi uma violação da constituição no que se refere a liberdade religiosa garantida pela Constituição do Brasil e, neste sentido, ao tempo em que viemos através desta destacarmos a violação da Constituição ocorrida no dia 08 de Dezembro do corrente ano, estamos atenciosamente solicitando de toda a população da cidade de Maceió através de suas instituições, um generoso esforço no sentido de divulgação, tanto da presente Carta Aberta, bem como ainda, de um olhar mais atento para a importância das nossas tradições afro-alagoanas, haja visto que, no dia 02 de Fevereiro de 2012 marcará o centenário da trágica destruição dos nossos espaços sagrados, data que, entrou para a história como o dia do “Quebra do Terreiros de 1912”.
Sem mais, atenciosamente subscreve o presente documento e convocam as seguintes entidades:

FEDERAÇÃO DOS CULTOS AFRO UMBANDISTA DO ESTADO DE ALAGOAS, CENTRO AFRO OXUM OMIN TALADÉ, CENTRO AFRICANO SÃO JORGE, PALÁCIO DE AIRÁ, ILÊ AXÉ LEGIONIRÊ, NUCAB – IYA OGUNTÉ, CENTRO ESPÍRITA SÃO JORGE, CENTRO AFRO BRASILEIRO OGUM DE NAGE, FRETAB - FEDERAÇÃO ZELADORA DAS RELIGIÕES TRADICIONAIS AFRO-BRASILEIRA EM ALAGOAS, FEDERAÇÃO DOS CULTOS ÁFRICOS DE ALAGOAS, ASSOCIAÇÃO CULTURAL E SOCIAL AFRO BRASILEIRA OFA OMIM, ABASÁ DE ANGOLA OYÁ IGBALÉ, FEDERAÇÃO ALAGOANA ESPÍRITA CAVALEIRO DO ESPAÇO.

Com o apoio das entidades abaixo descriminadas:
UFAL, UNEAL, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), COLETIVO AFROCAETÉ, GUESB, ANAJÔ, NÚCLEO CULTURAL ZONA SUL DE MACEIÓ, CEPA QUILOMBO E FEDERAÇÃO ALAGOANA DE CAPOEIRA, COJIRA, DCE/UFAL E ARTICULAÇÃO DOS GRUPOS DA CULTURA POPULAR AFRO-ALAGOANA.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

10 de janeiro de 2012 - Protesto contra intolerância religiosa


Cresce mobilização de protesto contra intolerância religiosa
      
Entidades representativas das religiões de matriz africana, do movimento estudantil, da sociedade civil organizada, instituições governamentais e movimento negro alagoano, voltaram a se reunir nesta quarta-feira (28), na sede da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos, para dar início aos encaminhamentos com vistas a intensificar a mobilização de protesto contra a intolerância religiosa.

Além de atos políticos e ação judicial contra a Prefeitura de Maceió, eles cobram uma retratação do Município por ter estabelecido tempo e espaço para as oferendas à Iemanjá no dia 8 deste mês, inclusive ameaçando os religiosos com uso da força caso a decisão fosse desobedecida.

As atividades de protesto começam no dia 10 de janeiro com a denúncia formal ao Ministério Público, acompanhada de ato político e divulgação de uma carta aberta. Também está sendo organizado um grande cortejo para marcar a entrega da interpelação judicial, audiência na Câmara de Vereadores, além de um grande ato público em fevereiro, para lembrar o “Quebra de 1912” e denunciar as perseguições que ainda hoje sofrem as religiões afrobrasileiras.

Os organizadores do movimento consideram que a decisão da prefeitura foi um ato de intolerância religiosa. Na opinião do coordenador nacional de formação dos Agentes de Pastoral Negros (APNs), e integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Cnpir), Helcias Pereira, o município feriu o Estatuto da Igualdade Racial, que menciona o direito à liberdade de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz africana, inclusive a celebração de festividades e cerimônias de acordo com preceitos das respectivas religiões.

Para o coordenador da Comissão das Minorias e Direitos Humanos da OAB/AL, advogado Alberto Jorge Ferreira dos Santos, as tradições devem ser respeitadas e mantida a liberdade de religiosidade negra. “Não negociaremos com a prefeitura o lugar nem o horário destas cerimônias”, enfatizou.

Já o vice reitor da Uneal (Universidade Estadual de Alagoas) e historiador Clébio Araújo, destacou que a atividade do dia 8 de dezembro para os terreiros não significa apenas uma homenagem, mas uma celebração religiosa que segue preceitos e não pode ser mudada de qualquer forma, o que fere o direito de liberdade religiosa.

Mobilização – As comissões de trabalho agora intensificam a mobilização junto a outras entidades dos movimentos sociais, sindicais e de outros segmentos no sentido de ampliar as adesões de apoio às manifestações.

Valdice Gomes 
Comissão de Jornalistas
pela Igualdade Racial (Cojira-Alagoas)
9951-9584

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Festa de Iemanjá, 8 de dezembro de 2011 (Praia da Pajuçara - Maceió)


Na Festa das Águas


Edna Lopes- Educadora

"Alagoanos e alagoados, as restrições espaciais que a prefeitura de Maceió propõe para a manifestação dos cultos afro-alagoanos neste dia 8 de dezembro são emblemáticas da falta de sensibilidade cultural da administração da cidade. Maceió é uma cidade tão mestiça, tão miscigenada como qualquer outra urbe brasileira. É um absurdo querer desconhecer ou restringir as manifestações de sua dimensão afro. O senhor prefeito deseja ser conhecido por ter vindo do povo e por dar espaço em sua gestão aos seus problemas, mas o que vemos é que esse povo reivindicado pelo prefeito é um povo inventado e não o maceioense real, é um povo sem especificidade, sem cultura própria, sem iniciativa política, é um povo submisso às elites. Mas o povo real vai se levantar, está ganhando consciência cultural e política, já conta com novos mediadores culturais e políticos, e saberá dar o troco hoje e nos próximos embates, como na eleição do ano que vem. Nem o Quebra dos Terreiros, em 1912, conseguiu acabar com a resistência das religiões afro-alagoanas, mesmo que o Xangô tenha passado a ser rezado baixo por décadas. Hoje seria um bom dia para a desobediência civil generalizada às restrições claramente discriminatórias impostas pela prefeitura, hoje seria um bom dia para que a rebeldia atávica do povo alagoano, que já se encarnou em Zumbi e Vicente de Paula, por exemplo, apareça em todo seu esplendor. Que os atabaques toquem alto e que um povo mestiço mostre a riqueza de suas crenças". Golbery Lessa via facebook de Ana Claúdia Laurindo

Depois de ler uma provocação como esta, quem, com seu juízo no lugar e em sã consciência ficaria em casa? Quem, que em algum momento de sua vida defendeu a livre expressão, o direito inalienável de professar sua fé - direito este afirmado na Constituição Federal, que parece ser desconhecida das autoridades de plantão da nossa cidade – não se sentiria desafiado a juntar-se ao real povo dessa cidade e defender esse e todos os direitos conquistados muitas vezes a custa do sangue e da vida de outros?

Cada vez que me pergunto por que a alegria, as expressões da religiosidade dos cultos de matriz africana, os paramentos, as músicas e as danças, provocam o temor e a intolerância de alguns, respondo-me que na raiz de tudo está o preconceito, a desinformação, o desrespeito com tudo que se refere e se aproxima do povo negro, mais da metade da população brasileira, que luta diuturnamente para ter respeitado seus direitos, para não serem ignorados e tratados com cidadãos de segunda classe.

Cheguei à festa no fim da tarde e me chamou a atenção a criançada que se divertia correndo na areia e no espaço dos shows. Elas, os pequenos Erês de sorriso confiante e nenhum temor em demonstrar sua alegria traduziam em mim o sentimento maior de um momento como aquele: a celebração da vida, o respeito ao direito de todos e de cada um deveria ser o mandamento principal para o convívio do seres dito humanos, nessa dimensão.

Fui recebida com um abraço e um sorriso de um deles e logo o convidei para me acompanhar até a praia para fazer umas fotos. A maturidade de Rafael do alto dos seus nove anos me animou:-“Não é um absurdo, tia Edna, proibir as pessoas de fazerem suas oferendas e tocarem aqui na praia depois da “5 horas”? “O que é que tem demais fazer isso?”

- “É sim, Rafa. É um absurdo e um desrespeito. E não tem nada demais não. Apenas ignorância desses que proíbem...”

O sentimento de Rafael, filho da amiga Luciana e do amigo e colega de trabalho, o jornalista Mauro Fabiani e o meu, era o de centenas de pessoas que ali estavam. Nos pronunciamentos nos intervalos das apresentações culturais, lideranças religiosas, intelectuais, lideranças de grupos comunitários e culturais manifestaram sua indignação para com a atitude intolerante e desrespeitosa das autoridades que limitaram o espaço e o tempo para oferendas e toques na orla de Maceió, inclusive com ameaça de recolhimento dos instrumentos.

Impossível não se indignar ao lembrar do Quebra dos Terreiros em 1912, quando no dia 02 de fevereiro, uma Yalorixá* (Tia Marcelina) foi assassinada por policiais a serviço da elites desse estado.Os terreiros foram destruídos e seus adeptos perseguidos e silenciados. Será que 99 anos depois, a história vai se repetir?

O sentimento de Rafael e o meu era o de centenas de pessoas que ali permaneceram até a última apresentação, o show da sambista Leci Brandão (Maravilhoso!), e seguiram em cortejo até a feirinha da Pajuçara, afirmando o propósito de reivindicarem o direito de expressar sua cultura, seu credo religioso e não se intimidarem com “autoridades” que pensam e agem como se a lei fosse uma corda esticada que pode ser levantada e abaixada seguindo suas conveniências.

Na Festa das Águas, um sentimento bom de pertencer a essa parcela de povo que não se dobra. Pude rever amigos e amigas, pessoas queridas que têm, como eu, compromisso com a militância pela vida, não apenas pregando tolerância mas respeitando todos e cada um no exercício do seu direito.

* sacerdotisa e chefe de uma casa de Axé (templo da religiosidade de matriz africana)

Olhem as fotos e vejam que belo cenário para uma celebração.


Quem quiser saber mais veja o documentário O Quebra do Xangô, de Siloé Amorin, que mostra as consequências do episódio para a vida e a cultura alagoana, além da tese "Xangô rezado baixo: um estudo da perseguição aos terreiros de Alagoas 1912", de Ulisses Rafael, Doutor em Sociologia e Antropologia pela UFRJ, disponível em PDF nesse link:


Fonte: Recanto das Letras (http://www.recantodasletras.com.br/)

domingo, 4 de dezembro de 2011

Festa das Águas


A articulação dos Grupos da Cultura Popular e Afro-Alagoana e a Secretaria da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos estarão realizando no dia 8 de dezembro, às 15h, no início da Praia de Pajuçara, uma grande festa em homenagem a Iemanjá, a Festas das Águas.

Programação:
 
Arê Iorubá (Núcleo Cultural da Zona Sul)
Maracatu Raiz da Tradição (Abassá de Angola de Oyá Igbalé)
Inaê (Guesb)
Afoxé Oju Omin Omorewá
Coletivo AfroCaeté 
Leci Brandão

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tambores de Xangô

Novembro de Todas as Cores

Rachel Rocha
(É professora de Antropologia
e pesquisadora da cultura afro-alagoana)

Maceió decide mostrar sua face negra em grande estilo. Subsumidas por séculos de preconceito racial e cultural - quando se trata das manifestações negras - comunidades representantes dessa rica tradição alagoana realizam nos dias 18 e 19 de novembro, no emblemático bairro de Jaraguá, uma grande comemoração numa clara demonstração de altivez e de reverência a uma tradição que é responsável pelo legado cultural presente em muitas das referências locais. O evento é uma realização da rede Articulação pela Cultura Popular e Afro-Alagoana e conta com o apoio do BNB e da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas.

A ideia, que partiu da comunidade negra Filhos de Axé Sociedade Afro-Cultura Palácio de Airá, que tem à frente o líder religioso babalorixá Elias de Airá, realizará no dia 18/11 (próxima sexta-feira), a cerimônia de coroação do Rei Doté Elias e da Rainha Lucineide, do Maracatu de Nação A Corte de Airá. A solenidade está marcada para as 9h00 na igreja Nossa Senhora Mãe do Povo, em Jaraguá.

A escolha não poderia ter sido mais feliz, uma vez que nesse mesmo bairro, na rua atrás da referida igreja, estava localizado um dos mais afamados terreiros de Maceió no começo do século XX, o de Mestre Felix, destruído, como muitos outros, em fevereiro de 1912, no episódio que ficou conhecido como “Quebra quebra dos terreiros” e que pôs fim a esta e a outras dezenas de casas religiosas afro-brasileiras na capital e no interior de Alagoas.

A brutal ação, demonstração da intolerância para com as práticas religiosas afro-brasileiras na Maceió provinciana de há um século, trouxe serias consequências à vivência e à visibilidade da religiosidade de matriz negra, resultando, entre outras, no que alguns, como Gonçalves Fernandes (Sincretismo Religioso no Brasil, 1941), identificou como uma nova modalidade de culto, batizado então de “xangô rezado baixo” que, na prática, refletia a intimidação de um candomblé que passava a ser realizado não mais com atabaques, mas com palmas.

Para relembrar e denunciar práticas intimidatórias contra os afro-brasileiros, ainda hoje presentes na Maceió contemporânea, as comemorações continuam no dia 19/11 (sábado), na praça Dois Leões (Jaraguá), com a realização de outra cerimônia, esta batizada de “Tambores de Xangô Rezado Baixo” que, desta feita, rezarão alto e em bom som, proclamando a necessária liberdade de cultos oriundos de negros escravizados e que se constituem em referências fundantes da cultura alagoana.

Essas manifestações, de rara beleza, solidariedade e sabedoria são motivo de orgulho para todos os alagoanos que terão a oportunidade de assistir a várias apresentações de maracatus, manifestações que existiam na Maceió do século XIX e começo do século XX e que depois desapareceram por conta do preconceito, mas que agora retornam, como indica a programação abaixo:


18h00 –abertura com as autoridades;
18h30 – cerimônia “Tambores de Xangô Rezado Baixo”, part. de yalorixás de Alagoas;
19h00- Maracatu Mirim  (Ponto de Cultura AMAJAR)
19h30- Maracatu Baque Alagoano;
20h00- Maracatu Raiz da Tradição;
20h30-Afoxé Oju Omin Omorewá;
21h00- Arê Iorubá (Núcleo Cultural da Zona Sul);
21h30- Maracatu Coroa Imperial;
22h00 – Malungos do Ilê;
22h30 – Maracatu Axé Zumbi  (Núcleo Cultural da Zona Sul);
23h00 – Maracatu Nação A Corte de Airá;
23h30 – Encerramento com Coletivo AfroCaeté.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

NOVEMBRO DA CONSCIÊNCIA E CULTURA DE RESISTÊNCIA

“Celebrando o Mês da Consciência Negra em Alagoas”

Coletivo AfroCaeté * Maracatu Nação A Corte de Airá * Quintal Cultural * CEPA Quilombo * Núcleo Cultural da Zona Sul * Afoxé OJu Omin Omorewá * Maracatu Raízes da Tradição (Abassá de Angola de Oyiá Igbalé)

Em novembro estaremos comemorando o Mês da Consciência Negra com diversas atividades. Segue algumas atividades do Coletivo AfroCaeté e da Articulação pela Cultura Popular e Afro-Alagoana.

03/11 (Qui) / Cine Clube Gênios da Raça / Mirante Kátia Assunção-Jacintinho – Exibição do vídeo Garrincha – Alegria do Povo (70 min, 1962, Doc/Dir. Joaquim Andrade). Parceria entre CEPA Quilombo e Filme de Quinta.

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05/11 (Sáb) / Mirante Cultural / Jacintinho – Comemoração do aniversário do Quilombo: Noite, 19 Horas, Mirante Kátia Assunção: Roda Aberta de Capoeira coordenada pelo grupo Águia Negra; Demonstração de combate da Associação Puma De Ferkundô e da Associação De Jet Jutsondô; e Pagode com Amigos de Ramos. E, às 21 Horas, Kizomba na Sede do CEPA-Quilombo.

06/11 (Dom) / Ensaio Aberto e Cortejo / Jaraguá – O Coletivo AfroCaeté fará cortejo pelas ruas de Jaraguá e batucada às 17h, na Praça Rayol (Arthur Ramos). O ensaio contará com a presença de representantes do Maracatu A Corte de Airá. Concentração às 14h, na sede do Coletivo (Rua Barão de Jaraguá, 381).
  

07/11 (Seg) / Coletivo AfroCaeté / UFAL – O AfroCaeté estará fortalecendo os Projetos Vivendo Maracatu (Parceria AfroCaeté/UFAL) e Maracatu no Morro (Parceria AfroCaeté/Maracatu A Corte de Airá/UFAL) na abertura da Semana de Geografia.

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10/11 (Qui) / Cine Clube Gênios da Raça / Mirante Kátia Assunção-Jacintinho – Exibição do vídeo Cartola – Música para os olhos (85min, 2006, Doc./Dir. Lírio Ferreira e Hilton Lacerda) Parceria entre CEPA Quilombo e Filme de Quinta.

12/11 (Sáb) / Coletivo AfroCaeté / Jaraguá – Oficina de Dança Afro ministrada pelo Diego (ierum) na sede do Coletivo AfroCaeté.

12/11 (Sáb) / AfroCaeté / Arapiraca – O Coletivo AfroCaeté se apresentará junto com a dança afro da comunidade quilombola de Pau d’Árco.


12 (Sáb) / Quintal Cultural / Bom Parto - Rua Sol Nascente (Próximo ao supermercado Unicompra).

13/11 (Dom) / Ensaio Aberto e Cortejo / Jaraguá – O Coletivo AfroCaeté fará batucada às 15h, na sede do do grupo (Rua Barão de Jaraguá, 381). A atividade contará com a presença de representantes do Maracatu A Corte de Airá.

 

13 (Dom) / Núcleo Cultural da Zona Sul / Vergel do Lago – Tarde, 15h: Atividade Cultural dos grupos que compõem o Núcleo: Orquestra de Tambores de Alagoas, Baianá Flor de Lis, Axé Zumbi/Toré de Índio (Mestre Geraldo), Guerreiros Mensageiros de Padre Cícero e Vencedor Alagoano, cordelista Jorge Calheiros, grupo Airê Iorubá, Maculelê e Roda Aberta de Capoeira da Federação Abadá Capoeira e Legião Capoeira, entre outros.

15/11 (ter) / AfroCaeté / Vilagem Campestre – Ensaio Aberto do Coletivo com o percussionista africano Meki Nzewi (http://mekinzewi.com/Bio), às 9h, no Guesb (Village Campestre).

17/11 (Qui) / Cine Clube Gênios da Raça / Mirante Kátia Assunção-Jacintinho – Exibição do vídeo Isto É Pelé (75 min, 1974, Doc./Dir. Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto). Parceria entre CEPA Quilombo e Filme de Quinta.
18/11 (Sex) / Maracatu A Corte de Airá / Jaraguá – Cerimônia de Coroação do Maracatu A Corte de Airá na Praça da Igreja Nossa Senha Mãe do Povo.

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19/11 (Sáb) / Maracatu A Corte de Airá / Jaraguá – “Tambores De Xangô Rezado Baixo” na Praça Dois Leões (homenagem aos Sacerdotes e Sacerdotisas perseguido em 1912, Época do Quebra). O Coletivo AfroCaeté e diversos grupos irão se apresentar no evento.

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19/11(Sáb) / Quintal Cultural / Bom Parto - Rua Sol Nascente (Próximo ao supermercado Unicompra).
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20/11 (Dom) / Consciência Negra / Serra da Barriga-União dos Palmares (AL) – Na programação o Maracatu Nação a Corte de Airá, a Malungos do Ilê, o Inaê, a Cia. Sururu de Capote e o Coletivo AfroCaeté se apresentarão durante as atividades da Serra. À noite a batucada será no centro da cidade de União dos Palmares.


24/11 (Qui) / Cine Clube Gênios da Raça / Mirante Kátia Assunção-Jacintinho – Exibição do vídeo É Simonal (87 min,1970, Ficção/Dir. Domingos Oliveira). Parceria entre CEPA Quilombo e Filme de Quinta.

25/11 (Sex) / CEPA Quilombo / Jacintinho – Noite, 19h: Roda Aberta de Capoeira coordenada pelo grupo Águia Negra; Maracatu Raízes da Tradição (Abaçá de Angola de Oyá Igbalé); Grupo Airê Iorubá; Dança Afro com os alunos da oficina de dança do Cenarte (Prof. Edu Passos); Monologo Vovó Josefa e Memê (Alunos Daquinta Cultural/Ufal); e o Espetáculo África (Flexeira/AL).

26/11 (Sáb) / Exposição “Festas das Águas”/ Jaraguá – Lançamento da exposição "Festa das Águas", às 21, no espaço de exposição da Rosa Mossoró. Com fotografia de Thiago Biacheti, Juliana Barreto, Christiano Barros e Sandreana Melo retratando a Festa no dia 8 de dezembro na pajuçara. Será exibido o vídeo Eruyá que retrata a Festa de Iemanjá entre os anos de 2006 e 2008. O lançamento contará com a presença de membros do AfroCaeté.

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27/11 (Dom) / Ensaio Aberto e Cortejo / Jaraguá – O Coletivo AfroCaeté fará batucada às 15h, na sede do do grupo (Rua Barão de Jaraguá, 381).

08/12 (Qui) / Festa da Águas / Pajuçara – O AfroCaeté, o Inaê (Guesb), o Maracatu A Corte de Airá, o Airê Iorubá, o Afoxé Oju Omin Omorewá, o Maracatu Raízes da Tradição (Abassa de Angola), o CEPA Quilombo (Performance Capote) e diversos outros grupos irão se apresentar na Festa da Águas, na praia de Pajuçara.
11/12 (Dom) / Oficina de Maracatu / Jaraguá – O Coletivo AfroCaeté realizará oficina de Maracatu, das 14 às 17 horas, na Sede do Coletivo AfroCaeté. Faça download do formulário para Pré-inscrição e envie para afrocaete@gmail.com .