A Cia. Urucungo e o Coletivo AfroCaeté convidam para a oficina de Capoeira Angola que será realizada entre os dias 20 e 22 de outubro, no Espaço Coletivo AfroCaeté (Jaraguá). A oficina será orientada pelo professor Gilson Vilela e faz parte do projeto Roda de Saberes que visa promover oficinas e rodas de discussão que contribuam para a difusão da arte da Capoeira Angola em Alagoas.
Informações podem ser obtidas pelos telefones (82) 8858-6771/ 8845-4068.
Coletivo AfroCaeté une tradição e modernidade – Joel Moraes
Cultura de raiz africana floresce em Alagoas, através da visão do grupo
A inspiração do Coletivo AfroCaeté provém de uma raiz ancestral, a cultura africana, mas o grupo não se limita apenas a sentar à sombra dessas tradições, também cultiva e produz novos frutos, unindo a dança e o ritmo da África com a criatividade própria de Alagoas.
Em atividade desde 2009, o Coletivo tem como proposta original conhecer e tornar conhecidas as diversas manifestações populares, em especial, as que unem o legado africano e a interpretação nordestina. Daí surge a característica marcante do grupo, a observação da fluidez cultural, a forma como a arte não permanece estagnada, mudando e crescendo, um organismo intelectual resultante de sucessivos encontros entre visões diferentes.
Atualmente, 50 integrantes participam das atividades, com a liderança do Ogan e percussionista Sandro Santana. Na sede, em Jaraguá, são realizados ensaios semanais nas tardes de domingo, ao som de instrumentos como a alfaia, a caixa de guerra, o gonguê, o agogô, o xequerê, o djembê, o atabaque e o pífano, entre outros. Durante o mês de outubro, o AfroCaeté realiza uma oficina de maracatu, buscando ampliar essa manifestação cultural em Alagoas.
Em entrevista exclusiva por email, o Coletivo fez jus ao nome, respondendo as perguntas coletivamente:
JM - Como surgiu e o que é o Coletivo AfroCaeté?
CAC - No contexto de surgimento do grupo estava um movimento de afirmação da identidade, de pertencimento a um lugar, não só como algo físico e espacial. A gente acredita que a identidade cultural e a noção de pertencimento a localidade se fortalece a medida que a gente solidifica os laços de ligação com o tradicional, com a cultura tradicional. A gente não acredita que cultura possa ser resgatada. Enquanto grupo a gente pretende celebrar essa modernidade, essa universalidade, essa dinamicidade que é identificada na cultura popular, na cultura tradicional, na cultura afro.
Antes de formar o grupo a gente vinha sentindo a necessidade de estar mais perto dos espaços de produção de cultura na periferia e, dos terreiros de candomblé que a gente considera verdadeiros centros de resistência da cultura africana no Brasil. Então a gente passou a não conceber que se destitua o batuque da cultura afro-religiosa. O Brasil, e especificamente Alagoas, tem uma dívida histórica com a cultura afro-religiosa, com as religiões de matrizes africanas, de um modo geral. Não é a toa que existe uma invisibilidade do batuque e das manifestações culturais de origem afro religiosa em Alagoas.
JM - O maracatu é considerado manifestação cultural pernambucana. Vocês concordam com essa definição ou vêem o legado africano como sendo maior que as fronteiras entre nossos estados?
CAC - Maracatu é uma manifestação da cultura popular. E cultura popular é do povo. Atualmente o maracatu de Alagoas sofre influência do maracatu que é feito no estado vizinho. No passado, maracatus, afoxés e outras manifestações eram comuns nos terreiros de Xangô e Candomblé em Alagoas. Muitas manifestações foram extintas com a perseguição aos terreiros, principalmente após a infeliz ação conhecida como “o quebra de Xangô”, que teve seu ápice 1912 com a morte em praça pública de Tia Marcelina, ícone da Cultura Negra em Alagoas. Inclusive registros indicam que no seu terreiro existia um maracatu. As manifestações culturais de origem afro-religiosa que conseguiram resistir foram tachadas ou autodenominaram-se de folclóricas para continuar existindo. Isso aconteceu também com as práticas indígenas.
É importante frisar que cultura popular é dinâmica, em constante transformação, ela dialoga com a modernidade. A junção de elementos, o hibridismo presente em manifestações da cultura popular, sempre impressiona muito. Mostra o quanto é rica e complexa a cultura. Mudança é algo que não devemos nos preocupar. A gente tem mais é que celebrar a modernidade, a universalidade, a dinamicidade presente na cultura popular, na cultura tradicional, na cultura afro.
JM - Hoje, qual a situação do maracatu em Alagoas?
CAC - No próximo mês, será coroado o Maracatu Nação A Corte de Airá, ligado a uma Casa de Axé que está localizada entre o Sítio São Jorge e a Grota do Arroz, aqui em Maceió. Será um momento especial.
A gente tá vivenciando um novo e importante momento. Alguns grupos ressurgem em Alagoas. E esse fenômeno é positivo na medida em que vem acompanhado de conscientização e conhecimento das práticas ligadas a cultura negra. E da possibilidade da inserção da cultura negra em diversas classes sociais. Assim, os grupos atuais podem se tornar aliados na luta por respeito a diversidade, seja ela cultural ou religiosa.
Em Alagoas existe uma invisibilidade do batuque e das manifestações culturais de origem negra, sobretudo de origem afro-religiosa. No passado a sociedade tinha aversão aos afoxés e maratatus, por causa da associação com a vida religiosa, chegavam considerá-los como sendo a própria religião. Hoje o preconceito continua forte a qualquer tipo de manifestação que tenha associação direta ou indireta com as religiões de matrizes africanas, e isso nos chama a responsabilidade. Chama a responsabilidade a todos os grupos que tem em sua base a percussão de origem afro-religiosa. Independente de classe, o batuque tem um chamamento ancestral, e ele também chama para a luta por respeito a diversidade.
JM - O que levou à proposta da oficina de maracatu?
CAC - Entre os objetivos, a difusão do batuque de maracatu, e da cultura popular de um modo geral. Nós acreditamos que cultura popular e tradicional é capaz de elevar a consciência e a auto-estima e isso contribui para melhorias das condições de vida das pessoas. A oficina também possibilita o ingresso de novos membros ao Coletivo AfroCaeté.
JM - Vocês acreditam que a internet e, principalmente, as redes sociais podem representar uma renovação na forma de aproximar a população e a arte?
CAC - Com abrangência ainda limitada, a internet é um importante veículo de comunicação. Para o Coletivo AfroCaeté, a internet, e especificamente as redes sociais, representa um canal acessível e direto com pessoas e grupos. O nosso blog representa hoje um dos principais documentos do grupo:
www.coletivoafrocaete.blogspot.com e no Twitter: @afrocaete
Fonte: http://www.jefersonmorais.com.br/destaques/exibir/coletivo-afrocaete-une-tradicao-e-modernidade
Oficina de Inicialização a Capoeira Angola - Professor Gilson Vilela
Gilson Vilela, Conhecido como João na roda de capoeira, vem contribuindo significativamente para o desenvolvimento da Angola em Alagoas. Desde muito cedo militante das causas sociais, o professor Gilson é também interprete de libras e fotógrafo.
Oficina de Maracatu - INSCRIÇÕES
Por AfroCaeté9/23/2011 06:42:00 PMCultura Popular Oficina Maracatu AfroCaeté Jaraguá Maceió Alagoas Brasil
Oficina de Maracatu
Dias 8, 9 e 16 de outubro, das 14 às 17 horas,
na Sede do Coletivo AfroCaeté.
Vagas limitadas!
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NOTA DE ESCLARECIMENTO
Tendo em vista os últimos acontecimentos ocorridos no processo eleitoral para o DCE-UFAL/2011, vimos tornar público que não autorizamos o uso do nome do coletivo AfroCaeté em qualquer material de campanha das chapas envolvidas na disputa, bem como, asseveramos que não apoiamos nenhum grupo envolvido no pleito. Diante de qualquer ação contrária a essa diretiva, será feita a revelia de nossa vontade.
Sábado, 10 de setembro, AfroCaeté fará cortejo pela Rua Sol Nascente e se apresentará no Quintal
Aniversário do Quintal Cultural
O Quintal Cultural comemora 4 anos, venha participar dessa festa. A festa será no dia 10-09-2011, a partir das 19 horas, na Rua Sol Nascente – Bom Parto. E contará com as seguintes atrações: Cortejo e apresentação do Coletivo AfroCaeté (Maracatu); Roda de Break; Entrega dos Kit de proteção para os B-boys; A.S.U (Rap); A Queda (Rap); Malacada (chorinho); Questão de Alma (Street dance).








